segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Portugal - soneto de Unamuno (1911)






     Aí vai o soneto e a tradução possível. Se algum verdadeiro conhecedor de castelhano quiser manifestar-se, faça o favor.
     O interesse deste poema, como lembram Apolinário Lourenço e Paulo Motta Oliveira, está na proximidade que mantém com "O dos Castelos", abertura de Mensagem.








Portugal



Del atlántico mar en las orillas
desgreñada y descalza una matrona
se sienta al pie de sierra que corona
triste pinar. Apoya en las rodillas

los codos y en las manos las mejillas
y clava ansiosos ojos de leona
en la puesta del sol; el mar entona
su trágico cantar de maravillas.

Dice de luengas tierras y de azares
mientras ella sus pies en las espumas
bañando sueña el fatal imperio

que se hundió en los tenebrosos mares,
y mira cómo entre agoreras brumas
se alza Don Sebastián, rey del mistério.



Do atlântico mar nas orlas
desgrenhada e descalça uma matrona
senta-se ao pé da serra que coroa
triste pinhal. Apoia nos joelhos

os cotovelos e nas mãos as faces
e crava ansiosos olhos de leoa
no pôr-do-sol; o mar entoa
o seu trágico cantar de maravilhas.

Fala de longas terras e de azares
enquanto ela os seus pés nas espumas
banhando sonha com o fatal império

que se afundou nos tenebrosos mares
e vê como entre agoirentas brumas
se alça Dom Sebastião, rei do mistério.


Unamuno, A Águia, Fevereiro de 1911
O soneto foi também integrado na colectânea poética Rosário de sonetos líricos, no mesmo ano.

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